sexta-feira, janeiro 1

A vida é uma dança...


"Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa; nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida; dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.

Não se apavore com as doenças, elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas...

Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixá-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.

Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes, estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.

E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.

Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.

Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz. Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da Vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.

O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe."



quinta-feira, dezembro 31


No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais gentileza com os meus sentimentos. Com todos eles, sem exceção. Quero ter mais habilidade para ouvir o que têm pra me contar, sem tentar abafar a voz daqueles que podem me trazer desconforto. Quero deixar que se expressem, exatamente com a cara que têm. Que me façam surpresas. Que me apontem as mudanças que já aconteceram e me falem sobre aquelas que pedem para acontecer. Quero que me mostrem as regiões ainda feridas em mim que precisam de olhar, de cura ou de perdão. Não quero sentimento acuado, amordaçado, varrido pra debaixo do tapete. Quero ser a melhor confidente de cada um. 

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais cuidado com os sentimentos alheios. Mais compaixão. Mais empatia. Mais tolerância. Suspender o julgamento. Trocar a crítica pelo respeito. Parar de achar que eu faria diferente, que eu diria diferente, quando não é a minha vida que está na berlinda. Quero lembrar mais vezes o quanto nos exige cada superação, cada avanço, cada conquista, cada descoberta das chaves capazes de abrir os cárceres que inventamos para nós. Quero lembrar mais vezes do quanto eu falho, mesmo quando quero acertar. Do quanto eu ainda me atrapalho comigo. Do quanto preciso ser generosa com a minha trajetória a cada novo projeto anunciado pela minha alma. A cada nova tentativa. A cada novo tropeço. By: Ana Jácomo


terça-feira, dezembro 22

TUDO ISSO E MAIS UM FELIZ NATAL



Que você consiga desgrudar das redes sociais, que dê uma longa caminhada sem que seus joelhos incomodem, que o sol apareça no dia que você tanto aguarda, que sair da dieta não interfira na sua silhueta, que você tenha a oportunidade de ajudar alguém que está precisando, que ouça agora mesmo a música que você mais gosta, que os amigos que se sentiram magoados façam a gentileza de colocar uma pedra no assunto, que o vinho branco esteja indecentemente gelado, que o livro que você está lendo mantenha-se interessante até o fim, que você encontre um presente baratinho, que por alguns minutos você esqueça os problemas do país, que você se reconheça bonito ao se olhar no espelho e que tenha um feliz natal. 

Que você encontre o anel dos seus sonhos numa feira de rua, que pegue o último canapé do prato sem culpa, que reze mesmo sem crer o suficiente, que não dependa de companhia para viajar, que não perca muito tempo se arrependendo, que deixe a vida um pouco nas mãos do destino, que reveja fotos antigas, que tome um banho de mar inesquecível, que vá à luta por uma camiseta que seja a sua cara, que transe com alguém bem legal, que segure dentro da boca uma maldade, que chore sem ficar com o rosto inchado, que o check up não acuse nada, que ganhe dois ingressos para o show do ano e que tenha um feliz natal. 

Que você pare um pouco de reclamar, que em tudo perceba alguma graça, que resolva ir caminhando em vez de tirar o carro da garagem, que use de uma vez aquela camisa escandalosa ou doe para uma escola de samba, que escute ambos os lados antes de distribuir acusações, que um whatsapp salve o seu dia, que encontre uma nota de 50 reais no bolso da calça que está indo para a lavanderia, que te convidem para passar o carnaval num lugar incomum, que tire bom proveito da insônia, que suma a espinha maldita que apareceu no nariz, que o dia termine sem nenhum contratempo e que tenha um feliz natal.

Que você não leve um tombo na escada, que não fique preso no elevador, que não perca o chinelo de dedo na praia, que a chuva não estrague seu cabelo, que você mentalize que tudo pode ser simples, que pense duas vezes antes de fazer uma tatuagem no rosto, que vá para Londres sem mais nem menos, que sua barriga pare por aí, que consiga pagar em dia seu seguro-saúde, que você descubra o prazer de uma lanchonete de beira de estrada, que quando pedirem uma opinião sincera você não caia nessa, que entre fazer a coisa certa e a coisa errada você escolha fazer a coisa certa, que não subestime a importância das trivialidades e que tenha um feliz natal. 

É o que desejo pra você dentro do espírito de generosidade abundante que a data inspira.
By: Martha Medeiros

terça-feira, novembro 17


O Brasil está literalmente na lama. Na lama da corrupção, na lama da mentira, na lama do descaso. Acredito que nada acontece por um acaso. Na noite do dia 13 de novembro de 2015, Paris sofreu um ataque terrorista e o mundo todo parou para ver e ouvir. Jornais do mundo inteiro falando da tragédia francesa. Uma cena chama minha atenção: centenas, talvez milhares de parisienses, passando por um túnel que leva à saída do Stade de France, cantam o hino nacional. Antes mesmo que soubessem da dimensão dos ataques, que ainda ocorriam em outros pontos da cidade, esses cidadãos já cantavam o hino do país. Nas redes sociais, muitos brasileiros começaram, então, a comparar a tragédia que aconteceu em Paris com a tragédia que aconteceu na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

Sem entrar no mérito da discussão, acredito que são tragédias igualmente terríveis, e ao mesmo tempo muito diferentes. Claro que o velho mundo está há anos-luz do Brasil. Lá cidadãos conhecem seus direitos e se alguma coisa está fora de ordem, sabem da força da voz do povo. Então eles vão para as ruas e protestam. Desta vez tiveram que ficar em casa por questão de segurança, mas logo veremos todos nas ruas, pedindo providências. Aqui, não. Protesto no Brasil (pelo menos as poucas que aconteceram ao longo deste ano) mais parece programa de domingo na praça com a família. Aqui assistimos sim, boquiabertos, a tragédia das cidades mineiras que aconteceu dia 5 de novembro, oito dias antes de Paris, mas ainda não nos manifestamos. Só estamos assistindo, vendo, ouvindo, lendo, escrevendo e assumindo posições de acordo com os acontecimentos, que não podem ser comparados, mas são igualmente terríveis.

Um soco no estômago ainda é pouco para descrever o que senti, quando vi a primeira imagem da cidade de Mariana coberta de lama e ouvi jornalistas anunciarem que logo as busca por sobreviventes seria iniciada. Então veio a pergunta: como vão buscar sobreviventes que foram soterrados? Não estou dizendo que seria em vão, não é isso. Ainda estão buscando e agora sabemos como. Os bombeiros estão fazendo furos na lama - que já deve estar endurecida depois de tanto dias - para que os cães farejadores possam fazer o trabalho de busca.

O Brasil está soterrado pela lama da displicência, da corrupção, da mentira, do descaso. O governo brasileiro em todas as suas instâncias está coberto de lama até o pescoço. A forma como o brasileiro contorna a crise política e econômica do país foi transformada em pauta para mostrar como o brasileiro é “criativo” e segue em frente apesar do desemprego, da inflação, das pedaladas do governo, da dívida interna e externa, do crescimento zero, de uma democracia simulada. Todo esse cenário político-econômico vergonhoso foi sobrepujado pela tragédia, que soterrou uma cidade que leva o nome de uma mulher e matou um rio chamado Doce.

Alguns dirão que a vida segue. Mas, a imagem da cidade soterrada lembra-me um quadro – óleo sobre tela, lama sobre tela. As pinceladas do pintor deixa claro que, debaixo dela, existem corpos que foram soterrados pela lama da displicência, do descaso, da corrupção e da mentira. Enquanto observo o quadro posso ouvir os gritos daqueles que estão soterrados, posso ver seus corpos endurecidos em posições que revelam pedidos de socorro (se é que houve tempo para isso), posso sentir o cheiro da tinta marrom que soterra a voz das vítimas.

E a nossa voz? A voz do povo brasileiro está calada pelo espanto ou por que estamos todos soterrados no silêncio da ignorância, do conveniente esquecimento? Ou por que temos de seguir em frente com nossas soluções “criativas”? Mais parece silêncio soterrado pela ignorância. Depois de informados pelos jornais, ainda boquiabertos, corremos para as redes sociais e nos envolvemos com outras tragédias. Algumas cotidianas, outras passageiras, muitas corruptas e outras tantas trágicas. Será que estamos sendo soterrados por tantas dessas que, quando acontece mais uma, quando a notícia de uma tragédia é "substituída" por outra, ficamos indiferentes como se já fizessem parte de nossas vidas e não há mais nada a fazer? Já não conseguimos mais observar o quadro, a lama sobre tela?

Esperançosa, considerando as datas tão próximas dos acontecimentos, prefiro acreditar que o povo brasileiro  é bastante "criativo" a ponto de aprender com o povo parisiense um novo modo de ver o mundo e que, mais do que boquiaberto diante de tanta violência, esteja com os olhos bem atentos para esse vale de lágrimas.
By: Elisabeth Guimarães 
Charge de Mário Tarcitano

quinta-feira, novembro 12


"Eu teria te esperado meu amor, a vida inteira se preciso fosse. Teria esperado sua confusão passar, seus outros amores passarem, seu amor chegar. Esperaria tudo, todo o tempo, se eu soubesse que era essa a sua vontade. Se eu soubesse que mesmo voando para outros lados, era pra mim que você voltaria. Mas você trilhou a ida sem deixar esperanças da volta. Você voou sem olhar para trás, sem tentar enxergar aquela que sempre quis voar contigo e que, no entanto, ficou apenas acenando, olhando o aumentar da distância. Você foi e eu fiquei. Fiquei sem saber o que fazer da ausência, das lembranças, dos dias de chuva, dos nossos encontros. Sem saber o que fazer de mim sem ti, já que levou os alicerces do meu novo mundo. O tempo passou e entendi que só posso esperar por quem me dá motivos para isso. E assim resolvi ir embora daquela história onde morei por algum tempo, afinal, algumas vezes a necessidade de partir é maior que a vontade de permanecer. Olhei para trás, derramei algumas lágrimas, mas segui adiante e é isso que importa. E de tudo ficou uma lição: uma vida inteira é muito tempo para esperar por quem decidiu ir embora."

segunda-feira, novembro 2



Um dos meus textos mais conhecidos chama-se A morte devagar, que publiquei na véspera de Finados de 2000 e que logo ganhou o mundo com o título Morre Lentamente. No início foi equivocadamente atribuído a Pablo Neruda, por isso o espalhamento e seu sucesso. Passado tanto tempo, já me devolveram a autoria e hoje esse texto virou canção na França e entrou no roteiro de um filme italiano – sem falar nas traduções para o espanhol, que alguns desconfiados ainda acreditam ser seu idioma de origem.
Na época, aproveitando a proximidade do Dia dos Mortos, escrevi puxando as orelhas (não os pés) daqueles que morrem em vida: os que evitam o risco, a arte, a paixão, o mistério, as viagens e as perguntas - apenas atravessam os dias respirando. 
Agora, na proximidade de um novo Finados, 15 anos depois, reitero: não morra lentamente. Morra rápido, de uma vez só, sem delongas. Morra quantas vezes for necessário. 
Quando fiz meu mapa astral, ouvi da astróloga: “Você tem dificuldade de lidar com ambivalências, gosta das coisas esclarecidas, para o bem ou para o mal”. E ela concluiu: “Morrer é algo que você faz bem, ficar em banho-maria, não”. 
Sombrio? Soturno? Ao contrário. Entendi com clareza sobre o que ela falava. Morte é a antessala da luz. Não a morte definitiva, que encerra o assunto, mas as diversas mortes em vida, os vários falecimentos a que somos submetidos. É preciso morrer bem enquanto se vive.
Cada final de amor é uma pequena morte, por exemplo. Morre lentamente quem fica alimentando fantasias de retorno, planejando vinganças, cultivando lembranças com naftalina. Sei que dói, mas não deixe esse amor definhando na UTI, dê logo a extrema-unção, acabe com isso, morra rápido, morra de vez, para que possa renascer ligeiro também. 
Finais de carreira, finais de amizade, finais de ciclo: mortes que acontecem aos 30, aos 40 anos, em qualquer idade. Dói, dói demais, não estou negando a dor, mas o que você prefere? As dúvidas, as ilusões, o apego? Prefere a sobrevida a uma vida nova? Confie na experiência de quem já se enterrou algumas vezes. Morra. Morra bem morrido, baby. 
Final de juventude, final da faculdade, final de uma viagem de intercâmbio: vai ficar agindo como se tivesse 18 anos para sempre? Mate o moleque em você, renasça adulto. 
A morte daqueles que amamos é trágica, mas nossa própria morte, não. Ela é uma contingência de nossa longa existência, e essa não é uma frase cínica, simplesmente é assim. Nossos sonhos morrem. Nosso passado morre. Nossas crenças. Fazer o quê? Morra bem. Morra com categoria. Com dignidade. O menos lentamente possível. Morra de morte bem arrematada, uma, duas, três mil vezes, morra em definitivo sempre que for exigido, para sobrar tempo. Tempo para a vida em frente.
By: Martha Medeiros

quarta-feira, outubro 28


"Que posso desejar para você hoje?
Que as verdadeiras amizades continuem.
Que as lágrimas sejam poucas, e compartilhadas.
Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos.
Que o carinho esteja presente em um simples olá,
ou em qualquer outra frase mesmo que digitada rapidamente.
Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas.
Que Deus esteja sempre com sua mão estendida apontando o caminho correto.
Que as coisas pequenas como a inveja ou desamor, sejam retiradas de nossa vida.
Que aquele que necessite de ajuda encontre sempre em nós uma animadora palavra amiga.
Que a verdade sempre esteja acima de tudo.
Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.
Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano.
Que tudo que sonhamos se transforme em realidade.
Que o amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.
Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.
Que a Felicidade momentânea da Vingança, ceda espaço para a Felicidade eterna do Perdão.
Neste dia mais que nunca, 
desejo para você tudo o que há de melhor no Universo,
e que seus sonhos sejam todos realizados."    



segunda-feira, outubro 19



"Todo dia, indagada sobre o que quero propagar no mundo, escolho propagar o amor, a beleza, o bom humor, as imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano, em vez do medo, que conta com propagadores demais. Não significa que necessariamente eu esteja nestes lugares toda vez que os propago, mas que acredito neles. Que acredito que prevalecerão, também em mim." Ana Jácomo



"O lugar onde eu mais aprecio estar é o vasto e arejado jardim do coração tranquilo.
Nele, não sinto necessidade de entender coisa alguma. Não pergunto nada e nem preciso responder.
O falatório desgastante, geralmente improdutivo, dos pensamentos abre espaço para o sorriso bom da paz. Nele, os problemas todos continuam a existir, as pendências, as dores, os embaraços, mas assim mesmo eu descanso. As coisas são como podem ser e eu não tento interromper o fluxo da vida." 
Ana Jácomo


domingo, outubro 18



Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que: Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade:
A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor. Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.
Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio.
Vejam a semelhança...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...
Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.
Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.
Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.
É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência...
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
By: Rubens Alves

domingo, outubro 11



Eu não sabia que a saudade incomodava, que o amor era tanto e que a vida doía.
Não sabia que a mágoa machucava, que a lembrança desbotava e que a aspereza enrugava.
Eu não sabia que o caminho era longo, que as pedras incomodavam e as curvas confundiam.
Eu não sabia que o silêncio torturava, o desejo salivava e a distância traria o esquecimento.
Também não sabia que a ironia maltratava e que em todos os tempos o fingimento não tinha graça nenhuma.
Eu não sabia que a preocupação esquentava a cabeça, que a noite se afeiçoava com a solidão. Eu desconhecia sobre os interesses fúteis como praga que contaminava os dias. Isso eu não sabia.
Eu não sabia que o choro era sinal de fraqueza. Pensei que arejava a alma, em algumas situações. Não sabia que as mães eram heroínas, mesmo que os filhos nem se deem conta disso, nem que os pais fazem um esforço danado para parecem certos o tempo todo com seus sermões quilométricos.
Eu não sabia que a alma fica doente e o corpo padece com isso. Que o coração é lugar para dúvidas e a razão nunca é obediente.
Eu desconhecia o sofrimento como escada para a felicidade, que o medo fragilizava e que havia um abismo entre o sonho e a realização.
Eu não sabia que o universo conspira a favor de quem faz a sua parte. Que sorte é quase uma fábula e que o discurso só funciona quando é resultado de uma prática.
Não sabia que era preciso tanto esforço para viver em um mundo contraditório.
By: Ita Portugal

terça-feira, outubro 6

A PRECE MAIOR

"A prece maior...
É falar a VERDADE toda vida. 
É ser caridoso. 
É ser fiel com os amigos. 
É estar do lado do bem. 
É cantar para uma criança dormir. 
É brincar com elas numa tarde grande.
É saber que Deus mora em cada pequena coisa com toda sua grandiosidade. 
É espalhar amor em doses de chuvaradas por aí.
A prece maior se encontra num abraço, numa conversa jogada fora num dia de domingo.
Numa palavra que salva, que enriquece, que abençoa. 
Num conselho que transforma a vida de alguém. 
Num olhar carinhoso. 
Numa mão que ampara, que acolhe, que semeia.
A prece maior se encontra onde há esperança, onde mora a palavra AMOR.
A prece maior se encontra onde há recomeços, onde há dias recheados de paciência e tolerância. verdades e onde aceitamos o NÃO com resignação.
Onde há uma história comprida com gente bonita morando dentro.
A prece maior se encontra no que não se acaba, no que permanece, apesar de todos os pesares.
A prece maior é ser feliz por nada. 
É agradecer por tão pouco. 
É amar até quem não nos ama. 
É respeitar os limites, os medos, as diferenças, as imposições e o limite do outro.
É perdoar as ofensas, os erros, os espinhos é silenciar.
É ter os olhos voltados para o sol. 
É ter o coração tranquilo e em Paz.
É levar uma semente de esperança onde a flor da vida já secou faz tempo.
A prece maior a gente não faz ajoelhado, a gente faz é sorrindo.
A prece Maior é DEUS."


domingo, outubro 4

Poema do Amigo Aprendiz


"Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias."


terça-feira, setembro 15


Quantos anos tenho?     

Que importa isso...!?

Tenho a idade em que olho as coisas com mais calma, mas com o interesse de um maior crescimento.

Tenho anos quando os sonhos começam a acariciar os dedos, e se transformam em esperança.

Tenho anos de amor, às vezes é um flash louco, ansioso para queimar no fogo da paixão desejada. E às vezes um refúgio de paz, como o pôr-do-sol na praia.

Quantos anos têm? Não há necessidade de discar um número, que fez os meus desejos, meus triunfos, as lágrimas derramadas pelo caminho quebrado para ver meus sonhos… Vale mais do que isso.

Que importa se tenho vinte, quarenta ou sessenta! O que importa é a idade que eu sinto.

Tenho os anos que preciso para viver livremente e sem medo o caminho, carregando comigo a experiência e a força dos meus desejos.

Quantos anos têm? Isso é que importa!?

Tenho os anos necessários para perder o medo em fazer o que eu quero, desejo e sinto.

By: José Saramago

domingo, agosto 9

Pai de todo jeito...




Tem pai que ama, 
Tem pai que esquece do amor.
Tem pai que adota,
Tem pai que abandona.
Tem pai que não sabe que é pai,
Tem filho que não sabe do pai.
Tem pai ... Tem pai que dá amor, 
Tem pai que dá presente. 
Tem pai por amor, 
Tem pai por acaso. 
Tem pai que se preocupa com os problemas do filho, 
Tem pai que não sabe dos problemas do filho... 
Tem pai ... Tem pai que ensina, 
Tem pai que não tem tempo. 
Tem pai que sofre com o sofrimento do filho, 
Tem pai que deixa o filho esquecido. 
Tem pai de todo jeito. 
Tem pai que encaminha o filho, 
Tem pai que o deixa no caminho. 
Tem pai que assume, 
Tem pai que rejeita. 
Tem pai que acaricia, 
Tem pai que não sabe onde está o filho que precisa de carinho. 
Tem pai que afaga, 
Tem pai que só pensa em negócios. 
Tem... Tem pai de todo jeito. 
E você? Que tipo de pai você é? 
Eu quero um pai, Apenas um pai. Que esteja consciente do amor que tem para dividir. 
Eu quero um pai, Apenas um pai. Que seja AMIGO! 
A todos os Pais, um carinhoso abraço!
By: Coisas que eu sei

sábado, maio 30


"Chegou um momento em que ela não sabia quem era eu, 
mas o importante era que eu sabia quem era ela."


"Foram mais de 50 anos juntos, considero-me afortunado e me lembrarei dela enquanto eu viver. Entre muitas coisas, sentirei falta das suas exigências para que eu fosse uma pessoa melhor, pois ela sempre teve expectativas muito superiores às que eu tinha sobre mim mesmo. Isso sem falar do seu esforço pela sua própria superação.

Estas exigências já me fizeram reclamar muito, mas hoje sinto falta delas, preciso delas.

Meus filhos sentem pena de mim e me visitam frequentemente, passam fins de semana comigo ou eu passo na casa deles. Às vezes, eu os pego olhando-me com ternura e posso adivinhar seus pensamentos: “Pobre papai! Vai sentir muita falta dela!”.

Já os ouvi recebendo condolências dos seus amigos, em diálogos com benevolentes comentários sobre o que eles consideravam como uma descrição belíssima do nosso amor: quanto tempo estivemos juntos; como parecíamos felizes convivendo; como nos comunicávamos bem; como compartilhávamos interesses e tantas outras coisas.

Sim, todos esses comentários refletem uma realidade, mas só uma parte dela. Não a mais profunda e total realidade do nosso amor, que estava muito acima de tudo isso. Descobri isso no final do caminho, no processo da sua doença.

Minha esposa sofreu de Alzheimer. Chegou um momento em que ela não sabia quem era eu, mas o importante era que eu sabia quem era ela. Tive o dom de poder ver sua parte angelical por trás do seu rosto inexpressivo.

Assim, podia evocar seu intenso sorriso, a agudeza das suas intuições ao me compreender e atender, suas broncas amorosas, sua alegria de viver, sua exigência por sermos melhores.

Ela era como uma pequena ave nas minhas mãos; não podia me oferecer uma companhia dialogante, nem ajuda nas circunstâncias da minha vida. Muito alheia às suas possibilidades, restava a menor das minhas necessidades, que ela costumava atender assim que a percebia enquanto tinha pleno uso de suas faculdades. Esta nova fase era, para mim, a oportunidade de fazer o sacrifício por amor, de ser abnegado.

Eu a atendia pessoalmente da melhor maneira possível, e todo o meu ser era para ela. Todo o meu ser para ela! Foi assim que pude compreender uma dimensão do amor conjugal que sempre havia estado presente e que ela com certeza já conhecia. Uma dimensão que iluminava com raios de sol nossa relação, tornando-a mais íntima que nunca. Uma dimensão na qual havíamos construído e reconstruído nosso amor cada dia.

Assim, todas as manhãs, eu enfeitava o quarto com os crisântemos de que ela tanto gostava, lia poemas de amor compostos por mim, cantava para ela, fazia cafuné, dançava e lhe contava histórias. Com lições bem aprendidas, eu a amava com um amor que me fazia ser melhor, até o último instante, em que Deus a levou.

Entendo que os casais jovens conhecem pouco do amor nesta dimensão. Esta é uma disciplina que terão de cursar, pois o casamento é uma relação de perfeição recíproca dos cônjuges em todos os âmbitos da vida, do mundo cotidiano ao mundo da intimidade mais estrita.

É assim que vai se dando o desvelamento da realidade pessoal de cada um, um desvelamento que permite a correção dos defeitos e o desenvolvimento das virtudes, contando com a ajuda e o apoio amoroso do cônjuge.

Por isso, são um bem um para o outro.

Minhas foi e será o maior bem da minha vida, vindo das mãos de Deus, e sou imensamente grato por isso."
http://www.aleteia.org/pt