quinta-feira, maio 1

- ESSE MENINO ERA SEU FILHO -




"Não posso nem chamá-lo de caro ou prezado, mas apenas usar seu nome: Leandro. Educação e respeito vão soar como cinismo. 

Tampouco posso chamá-lo pelo sobrenome para indicar formalidade. Perdeu o direito do sobrenome. Seu filho pequeno está enterrado em seu sobrenome para sempre. Ele carregava seu sobrenome, você não soube carregar coisa alguma dele.

Tenho enfrentado vários pesadelos desde que ouvi a notícia de que seu menino de 11 anos fora morto pela madrasta. 

Que seu menino foi posto numa cova às margens de um rio em Frederico Westphalen (RS), coberto pela terra quando deveria ser coberto pelo edredon para não passar frio de noite.

Seu filho foi enganado. Toda a vida enganado. Toda a vida humilhado. Na hora de seu fim, aceitou o passeio para longe de Três Passos porque jurava que receberia uma televisão. 

Quando seu menino acordar dentro da morte, ele vai chamá-lo. Assim como toda criança chama seu pai quando tem medo do escuro. Vai chamá-lo e onde estará?

Ele acreditava que você era o herói dele. Estava exagerando para pedir que o salvasse, não entendeu o apelo?

Você nem pai foi. Nem homem foi. Você foi o que restou.

Como médico, não acha Bernardo uma criança um pouco grande para fazer um aborto?

O que dirá para irmãzinha dele? Que Bernardo está no céu? Que é uma estrela?

Perdeu também o direito de mentir. É você e sua memória sozinhos no silêncio. Só resta a memória para quem matou a consciência.

Nunca encontrará perdão. Deixou Bernardo desamparado. Deixou Bernardo com as mesmas roupas curtas, o mesmo uniforme escolar surrado, desde que a mãe faleceu. Deixou seu filho mendigar atenção pela cidade. Pelo fórum. 

Não entendo o que leva um homem a anular sua família anterior por uma nova namorada. O sexo é mais importante do que a paternidade? A bajulação é mais importante do que a ternura? Queria estar disponível para festas? Cortar gastos?

Fingiu que Bernardo não existia para não atrapalhar a ambição da sua mulher? Fingiu que Bernardo não havia nascido para atender à exclusividade de sua mulher?

Filho não é escolha, é responsabilidade. Já casamento é escolha...

Se a mulher não gostava de seu filho, não deveria ter recusado o relacionamento?

Como seria simples. Bastava dizer "Ou meu filho ou nada!". É o que se fala no início do namoro.

Para você, nada.

Não é que você não tem mais nada, você não é mais nada. Abdicou de seu filho para ficar com alguém. Você não se contentou em abandonar sua família para criar uma segunda família, você aniquilou sua família para criar uma segunda família.

Obrigava Bernardo a esperar fora de casa até você chegar do trabalho, agora é você quem espera fora de casa. 

Obrigava Bernardo a lavar as mãos para brincar com a irmã. Pois tente lavar suas mãos agora para tocar no rosto dele. 

Tente todos os dias de sua paternidade. Sangue não sai com a culpa."
By: Fabrício Carpinejar 

sábado, março 29

- NUNCA É TARDE -




Acredito que os homens amam tanto quanto as mulheres. O que existe hoje em dia é uma dificuldade enorme de comunicação entre as pessoas. Primeiro porque ninguém está disposto a mostrar quem realmente é, as pessoas se aproximam criando personagens, usando máscaras. Numa época em que quase tudo pode ser comprado, criado, adquirido, disfarçado, porquê não disfarçar o ciúme excessivo? Por que não disfarçar o coração amargurado e carrancudo? 
Pois é, cuidado para não levar onça por gata!

As pessoas perderam a beleza da sinceridade, da espontaneidade, da cara lavada mesmo, sabe? Sem maquiagem, sem máscaras! O padrão da perfeição ficou estereotipado, e o que vai no coração ficou esquecido. Resultado: homens e mulheres maravilhosos, bem sucedidos e cada vez mais sozinhos. Só se toca no que é visto! O que vai na cabeça e no coração não atrai olhares!

Os homens amam, as mulheres amam… mas a linguagem do amor está mutilada! As luzes se apagam, o chuveiro é acionado, foi-se a mulher indefectível, foi-se o glamour da linguagem visual: já é noite! E o coração continua vazio, assim como os feriados continuam mais longos, assim como os natais continuam sem bonecos de neve (ainda que de brinquedo, para se pendurar nas árvores).

O que dá luz ao seu olhar é a vida que você escolheu levar! E se você não aprendeu ainda a linguagem do amor… nunca é tarde! Comece conhecendo alguém de olhos bem fechados!
By: Isabelle Andrade - texto original Os Homens Amam de Verdade?

sexta-feira, março 21

BEM-VINDO, OUTONO !



"O Pai, na sua infinita sabedoria, deu à natureza a capacidade de desabrochar a cada nova estação e a nós a capacidade de recomeçar a cada novo dia. Fazer novos amigos, ajudar mais pessoas, aprender novas lições, vivenciar outras dores ou suportar velhos problemas, sorrir novos motivos e chorar outros, porque
amar o próximo é dar mais amparo, rezar mais preces e agradecer mais vezes.
 Tudo isso são mudanças que passamos na vida e só não muda, quem nada aprende!"  

segunda-feira, março 17

- CANÇÃO DAS MULHERES -



Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. 

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. 

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. 

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. 

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. 

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. 

Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. 

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. 

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. 

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. 

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou nem devo ser a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - Uma Mulher!
By: Lya Luft

segunda-feira, março 10

- O LAÇO E O ABRAÇO -


Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço.
Uma fita dando voltas? Se enrosca.
Mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o abraço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando devagarinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E na fita que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento?
Como um pedaço de fita?
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor é isso...
Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.
By: Maria Beatriz Marinho dos Anjos

sexta-feira, março 7

- DIA INTERNACIONAL DA MULHER -


Alma de Mulher 

Nada mais contraditório do que ser mulher ...
Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.

Que vive milhões de emoções num só dia e
transmite cada uma delas, num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive
arrumando desculpas para os erros,
daqueles a quem ama.

Que hospeda no ventre outras almas, dá a luz
e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gerou. 

Que dá as asas, ensina a voar mas não quer ver partir os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.

Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda
que seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como uma feiticeira transforma
em luz e sorriso as dores que sente na alma,
só para ninguém notar.

E ainda tem que ser forte, para dar os ombros
para quem neles precise chorar.

Feliz do homem que, por um dia, souber
entender a Alma da Mulher!
By: Fátima Ayache

sábado, março 1

- MARÇO, BEM-VINDO -



Eu desejo um mês com muita paz, amor e sorrisos.
Um mês abençoado e repleto de coisas boas.
Um mês calmo, que nos traga bons frutos. 
Um mês de vitórias!
Que Deus nos proteja de todo mal.
Amém!

segunda-feira, fevereiro 24

- INTRIGAS -



"Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo de sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque nos dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca numa verdade em potencial. Não há fofoca que compense. Se for mesmo verdade, é uma bala perdida. Se for mentira, é um tiro pelas costas."
By: Martha Medeiros

sábado, fevereiro 22

- O JARDIM E O QUINTAL -



 "A lealdade é a amizade do amor. A fidelidade é o respeito do amor."

Não basta ser fiel, tem que ser leal para dar certo.
Foi o que a minha namorada me disse. 
A lealdade é tão importante quanto à fidelidade. 
A lealdade é o pensamento da fidelidade. A fidelidade é a ação da lealdade. 
A lealdade é a amizade do amor. A fidelidade é o respeito do amor. 
Há casais que são fieis entre si, mas não são leais, e se distanciam um do outro. 
Há casais que nunca se traem, mas tampouco se apresentam: vivem pulando a cerca nos gestos. 
Podem, aparentemente, conviver em harmonia, só que não expressam o que sentem, não descrevem suas frustrações, conservam uma fachada até a relação estourar. Cuidam do jardim da residência, descuidam do quintal. 
Não cooperam com o entendimento, não são didáticos, colocam a sujeira debaixo da cama, deixam os atritos passar sem mediação. 
Parece que estão alinhados, porém apenas não estão conversando. 
Não respondem onde andam com a cabeça, o que querem de verdade. 
Na separação, descobrirão que não se conhecem, pois jamais descreveram suas emoções mais básicas, sequer revelaram o ciúme e o descontentamento no momento da eclosão. 
Lealdade é esclarecer as dificuldades e as rusgas. É uma exposição gradual das diferenças que geram as semelhanças. 
Fidelidade é uma vontade do casal diante dos demais, lealdade é mostrar a vontade de cada um no decorrer do tempo. 
Fidelidade é cumplicidade, lealdade é intimidade. 
Fidelidade é um posicionamento público, lealdade é a vida privada. 
Fidelidade é projeção, lealdade reflete aquilo que você é para si. Se contraria seu sonho com o casamento ou o namoro, está sendo desleal, mesmo que seja fiel. 
Fidelidade é um passo externo, lealdade é um passo interno. 
Fidelidade é honrar o compromisso perante o trabalho e os amigos, lealdade é honrar o compromisso em casa. 
Lealdade é expor o que se está pensando, o que se procura, não omitir suas intenções, manter sua companhia atualizada de seus problemas e de suas soluções. 
Fidelidade é proteger o relacionamento, lealdade é não esconder o que está acontecendo dentro do relacionamento. 
Sem lealdade, o amor cansa, o amor estanca, o amor não cresce. 
A deslealdade separa mais do que a infidelidade. 
A deslealdade é se trair por dentro.
By: Fabrício Carpinejar.

sexta-feira, fevereiro 14

- APRENDA A AMAR -



Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: Aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí. Amores, mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. 

Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.

Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre.
Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. 

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos). Não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. 

Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente.
Jogue para o alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. 

Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. 

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.
- Artur da Távola

domingo, fevereiro 9

- A ARTE DE CALAR -




O silêncio é um momento vivificante de graça, em que a criatura se cala, 
mas o espírito fala.

Calar sobre sua própria pessoa, é humildade.
Calar sobre os defeitos dos outros, é caridade.
Calar quando a gente está sofrendo, é heroísmo.
Calar diante do sofrimento alheio, é covardia.
Calar diante da injustiça, é fraqueza.
Calar quando o outro está falando, é delicadeza.
Calar quando o outro espera um palavra, é omissão. 
Calar e não falar palavras inúteis, é penitência.
Calar quando não há necessidade de falar, é prudência.
Calar quando DEUS nos fala no coração, é silêncio.
Calar, diante do mistério que não entendemos, é sabedoria.
Arrependo-me muitas vezes de ter falado, nunca de me ter calado.
Seja dono de sua boca para não ser escravo de suas palavras.
Cuide da palavra.
É da essência da palavra tornar-se realidade. 
Palavras como: "péssimo", "infeliz", "desgraçado", podem voltar-se contra você e infelicitar a sua vida.
Repetidas, mais fortes ainda, tornam-se os seus efeitos.
Tenha cuidado! Fale somente o que é bom.
Quando não puder falar o que é bom, cale-se.
Ter a fala disciplinada é conquistar segurança e grandeza de espírito.
Aprenda a falar com Jesus em seu coração, e em sua mente ele se manifestará.
- Sabedoria dos Mestres.

domingo, janeiro 26

PALAVRA MÁGICA: AFINIDADE!


"A afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
 A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
 É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi. 
Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com. Não é sentir contra. Nem sentir para. Nem sentir por. Nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. 
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. 
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado." 
-  Artur da Távola. 


sábado, janeiro 11

- PESSOAS ESPECIAIS -





Existem pessoas que marcam a nossa vida.
Personagens que ficam na nossa história.
Espalham-se na corrente sanguínea e exalam em nossos poros.
Existem pessoas que chegam para ficar.
Desfazem as malas e espalham suas peças por entre nossos dias.
Com o passar do tempo vão se tornando parte de nós. 
E, quando por qualquer razão, desaparecem do nosso caminho, ainda assim deixam marcas no nosso chão.
Pessoas distintas que brindam a emoção!
Simples, ardentes ou meramente normais.
Destilam sabedoria e emprestam seu alto astral.
Pessoas interessantes, insinuantes, especiais.
Que fincam o pé na nossa estrada e ponto final.
- Mari Saes -          

- HOMENS APRENDEM -




Com o tempo e a experiência, mesmo os lerdos descobrem – um dia –
 o prazer da reciprocidade.

 A vida parece curta para o ritmo em que a gente aprende. Demora uma eternidade para que coisas óbvias se apresentem diante de nós em sua clareza elementar. Perdemos décadas da nossa existência no interior de uma grossa névoa de burrice emocional. É somente na virada dos 40 anos, às vezes dos 50, que a luz atravessa as nuvens. Não é tarde, mas é uma pena. Se a compreensão viesse antes, talvez a vida fosse melhor.
Falo por mim, naturalmente.

Haverá quem tenha entendido o mundo desde cedo. Deve haver gente extraordinária que percebe – aos 15, aos 20 anos, talvez aos 30 – que é impossível ter tudo ao mesmo tempo e que a arte da renúncia antecede o gozo. Alguém deve ter percebido, antes de ter cabelos brancos, que comprometer-se (pro-fun-da-men-te) é parte da experiência de ser feliz. Comigo não foi assim.
Falo de homens, claro.

Eles se debatem no interior dos relacionamentos como se estivessem se afogando. A mulher é bacana, a vida é boa, o sexo flui como música de câmera – mas o sujeito soçobra em ansiedade, incapaz de aquietar-se. Seu desejo se multiplica em todos os sorrisos, todos os cabelos, todo quadril largo ou estreito que passe requebrando. Ele muitas vezes nem faz sexo além da cerca, mas sua fidelidade se restringe ao sentido forense da palavra - não há contato físico, mas sobra imaginação e sofrimento, com terríveis consequências.

A relação verdadeira, que começara apaixonada, vai murchando. A sombra da tristeza invade a casa dele, a cama dele, o sorriso da mulher dele. Mas ele não sabe que precisa opor-se a isso. Acredita que o amor tem de brotar pronto e perfeito, sem esforço. Assim, ele desiste. Deixa rolar, broxar, o sentimento esvair-se. É um espontaneísta, afinal. Ou uma anta, como perceberá logo depois. Mas então o barco já terá virado.
No fundo, eu temo, ele queria que desse errado.

Estar casado (ou estar junto, ou ter alguém) era um estorvo. Havia muita coisa acontecendo e ele nunca renunciara. O casamento, (o namoro, a relação) sempre lhe parecera provisório. Tinha vergonha de fazer planos. Sentia-se numa farsa onde faltava algo. Ele achava que era amor. Anos depois, descobriu que era maturidade, comprometimento, empenho. Dele. Não sabia que era preciso dar-se. Talvez nem soubesse como. Criatura bruta e triste, cheia de fome.
Ainda bem que o tempo existe.

Com ele, aprende-se a importância das coisas. Com a soma das experiências repetidas, mesmo um sujeito lerdo – e são quase todos - entende que é preciso cuidar da mulher que ele ama. Não apenas como um objeto de prazer que pode irritar-se e partir. Não apenas como algo que ele pode perder. Mas como uma parte essencial da vida dele, que tem de ser preservada e aprimorada. Com o tempo e com boa vontade, o sujeito aprende a reciprocidade. Mas leva tempo.
- Ivan Martins - Editor-Executivo de Época.

quarta-feira, janeiro 1

- BEM-VINDO, JANEIRO -


 
 
É janeiro!
Mês que carrega nas costas um ano inteiro.
Janeiro parece mais ano que mês, ele chega e todos dizem: feliz ano novo!
Mas venha, janeiro!
É a sua vez!
Que tenha a leveza do recomeço, que leve o que não nos serve mais, que traga tudo o que nos encha de paz!
Lembrando que nada muda se a gente não mudar, a gente também tem que correr atrás.
- Rachel Carvalho.