domingo, janeiro 27

- MEU MOMENTO -



 - Metade -

Que a força do medo que tenho
 Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
 Não me tape os ouvidos e a boca
 Porque metade de mim é o que eu grito
 Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
 Seja linda ainda que tristeza
 Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
 Mesmo que distante
 Porque metade de mim é partida
 Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
 Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
 Apenas respeitadas
 Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
 Porque metade de mim é o que ouço
 Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
 Se transforme na calma e na paz que eu mereço
 Que essa tensão que me corrói por dentro
 Seja um dia recompensada
 Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
 Que eu me lembro ter dado na infância
 Por que metade de mim é a lembrança do que fui
 A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
 Pra me fazer aquietar o espírito
 E que o teu silêncio me fale cada vez mais
 Porque metade de mim é abrigo
 Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
 Mesmo que ela não saiba
 E que ninguém a tente complicar
 Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
 Porque metade de mim é platéia
 E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
 Porque metade de mim é amor
 E a outra metade também.
*Oswaldo Montenegro*



quinta-feira, janeiro 24

- DENTRO DE UM ABRAÇO -



Aonde é que você gostaria de estar agora, neste exato momento? Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, na beira de diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema vendo a estreia de um filme muito esperado, e principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar a intimidade da gente é irreproduzível.

Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.

E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço, se dissolve.

Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.
O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.

Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde de frente para o mar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?

Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste. *Martha Medeiros*




terça-feira, janeiro 8

- SOPRE AS CINZAS -

 
"Deixe-as ao vento!
Quem feriu você, já feriu e já passou.
Lá na frente encontrará o inevitável retorno e pelas mãos de outrem,
se merecer, será ferido também.
A Vida se encarregará de dar-lhe o troco e você, talvez, jamais fique sabendo.
O que importa de verdade é o que você sentiu e, mais importante, é o que ainda você sente:
Mágoa? Rancor?
Ressentimento? Ódio?
Você consegue perceber que esses sentimentos foram escolhidos por você?
Somos nós que escolhemos o que sentir diante de agressões e de ofensas.
Quem nos faz o mal é responsável pelo que faz, mas NÓS somos responsáveis pelo que sentimos.
Essa responsabilidade tem a ver com o Amor que devemos e temos que sentir por nós mesmos.
O ofensor fez o que fez e o momento passou, mas o que ficou aí dentro de você?


Mágoa?
- Você sabia que, de todas as drogas, ela é a mais cancerígena?
Pela sua própria saúde, jogue-a fora.

Rancor?
- Ele é como um alimento preparado com veneno irreconhecível: dia mais, dia menos, você poderá contrair doenças, cujas origens nem suspeitará.

Ressentimento?
- Pois imagine-se vivendo dentro de um ambiente constantemente poluído, enfumaçado, repleto de bactérias e de incontáveis tipos de vírus: é isso que seu coração e seus pulmões estão tentando aguentar. Até quando você acha que eles vão resistir?

Ódio?
- Seus efeitos são paralisantes. Seu sistema imunológico entrará em conflito com esse veneno que, com o tempo, poderá colocar você face a face com a morte e talvez muito tarde você venha a perceber que melhor seria ter deixado que seu agressor colhesse os frutos do próprio plantio.
Por seu próprio Bem e pelo seu Bem, perdoe.
O perdão o libertará e o fará livre para ser feliz. Esqueça o mal que lhe foi feito. Deixe o seu ofensor de lado, e não penses nele com ímpetos de vinganças.
Siga a sugestão. Se desejas ser feliz por um dia: vinga-te.
Se desejas ser feliz por toda a vida: PERDOE!
Mude seu destino. Não permita que suas emoções negativas dominem os seus sentimentos. Seja o comandante da sua Nau!
Escolha o melhor caminho para sua 'viagem'.
E se outras vezes o ferirem, perdoe!
Perdoe!..."

domingo, janeiro 6

- SE SEMEIO URTIGAS... -


"'Deus está em toda a parte, ao mesmo tempo, próximo a você, dentro de você!

Jamais você está desamparado. Nunca está só. Não permita que a mágoa o perturbe, procure manter-se calmo para ouvir a voz silenciosa de Deus dentro de você. Assim, poderá superar todas as dificuldades que aparecerem em seu caminho e descobrir a Verdade que existe em todas as coisas e pessoas.

Um antigo provérbio diz: 


Se semeio urtigas, não posso colher rosas.

É por meio das minhas ações que o mundo reage a mim.
Elas plantam as sementes do meu futuro.
Se tenho atitudes raivosas, obtenho respostas raivosas.
Se desempenho ações pacíficas, os resultados são pacíficos.
É por meio das ações que eu crio fortuna ou infortúnio.
Deveríamos deixar que todas as nossas ações fossem para edificar ao invés de violentar". *Brahma Kumaris UK*



"Para mim, duas coisas são fundamentais: olhares e voz. Tem coisa mais linda que um olhar? Sinceros, tímidos, reveladores, provocantes, que suplicam, agradecem, sorriem. E a voz? Ela acalma e diz quem a pessoa é."
*Clarissa Corrêa*
 
 
 
 
 
"É assustador como tudo pode dar errado tão rápido. Às vezes, precisamos de uma grande perda, para nos lembrarmos do que realmente importa. Às vezes, ficamos mais fortes, mais sábios, e mais preparados para o próximo desastre. Às vezes! Nem sempre."
 *Grey’s Anatomy*
 
 
 

sexta-feira, janeiro 4

- EU EM TI -



''Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Por que não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.''


- AUTO-ESTIMA -





"Se um dia alguém fizer com que se quebre 
a visão bonita que você tem de si, 
com muita paciência e amor reconstrua-a. 
Assim como o artesão 
recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão, 
sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante, 
você é a sua criação mais valiosa. 
Não olhe para trás. 
Não olhe para os lados. 
Olhe somente para dentro, 
para bem dentro de você 
e faça dali o seu lugar de descanso, 
conforto e recomposição. 
Crie este universo agradável para si. 
O mundo agradecerá o seu trabalho."
*Brahma Kumaris UK*

terça-feira, janeiro 1

 
 
 
 
 
"Feliz Ano Novo, Universo!
 Sinta-se feliz, sorria, você acordou mais um dia!
 Seja grato pela existência, divirta-se, perdoe-se
 e siga o caminho do coração e da alma."
 
 

domingo, dezembro 30

- FELIZ ANO NOVO -






Foi-se embora mais um ano, 12 meses, mais de 300 dias em que pagamos contas e procuramos lugar pra estacionar.
Um ano a mais de experiências vividas, um ano a menos de juventude. Um ano a mais de filmes de que gostamos, trabalhos que nos frustraram e pessoas com quem convivemos menos do que gostaríamos.
Tempo consumido em chopes, estradas, telefonemas, suor, tevê e cama. Você envelheceu ou cresceu este ano?
Envelhecemos sentados no sofá, envelhecemos ao viciar-nos na rotina, envelhecemos criando os filhos da mesma forma como fomos criados, sem levar em conta algumas novas necessidades, outras formas de ser feliz.
Envelhecemos passando creme anti-rugas no rosto antes de dormir, envelhecemos malhando numa academia, envelhecemos nos queixando da tarifa do condomínio e achando que todo mundo é estúpido, menos nós.
Envelhecemos porque envelhecer é mais fácil do que crescer. Crescer requer esforço mental. Obriga a tomadas de consciência. Exige mudanças.
Crescer é a anti-repetição de idéias, é a predisposição para o deslumbramento, é assumir as responsabilidades por todos os nossos atos, os bem pensados e os insanos.
Crescer dá uma fisgada diária no peito, embrulha o estômago, tem efeitos colaterais. Machuca. Envelhecer não machuca.
Envelhecer é manso, sereno.
Envelhecer é uma apatia, um não-desempenho, um deixa pra lá, vamos ver o que acontece. O que acontece é que você fica mais velho e se considerando tão sábio quanto era anos atrás, anos que se passaram iguais, sabedoria que não se renovou.
Crescer custa, demora, esfola, mas compensa.
É uma vitória secreta, sem testemunhas.
O adversário somos nós mesmos, e o prêmio é o tempo a nosso favor.
*Martha Madeiros*

- A FAXINA -


Estava precisando fazer uma faxina em mim. 
Jogar fora alguns pensamentos indesejados.
Tirar o pó de uns sonhos, lavar alguns desejos que estavam enferrujando. 
Tirei do fundo das gavetas, lembranças que não uso e não quero mais. 
Joguei fora ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei. 
Joguei fora a raiva e o rancor nas flores murchas, guardadas num livro que não li. 
Peguei meus sorrisos futuros e alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas. Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de uma amiga sem gratidão, lembranças de um dia triste. Mas lá havia outras coisas, belas!!! 
Uma lua cor de prata, os abraços, aquela gargalhada no cinema, o primeiro beijo, o pôr do sol, uma noite de amor . 
Encantada e me distraindo, fiquei olhando aquelas lembranças. 
Sentei no chão, joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou. Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima - pois quase não as uso - e também joguei fora! 
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que fazer, se as esqueço ou se vão para o lixo. 
Revirei aquela gaveta onde se guarda tudo de importante: amor, alegria, sorrisos, fé. 
Como foi bom!!! 
Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, 
perfumei na esperança, passei um paninho nas minhas metas e deixei-as à mostra. 
Coloquei nas gavetas de baixo lembranças da infância; 
em cima, as de minha juventude, e pendurado bem à minha frente, 
coloquei a minha capacidade de amar e de recomeçar. 
*Martha Medeiros* 


domingo, novembro 25

- ÀS VEZES É PRECISO MUDAR -




"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar.

Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a dizer. E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se ouça o coração bater desordenadamente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.

Às vezes é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação tênue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.

Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.

Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio e paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.

Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."
*Margarida Rebelo Pinto*

segunda-feira, novembro 19

- AMOR SEM LIMITES -




"Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declararem, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado. E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas diárias: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes. " (Martha Medeiros)




 "Solto-me em brasas percorrendo seu corpo,  sedenta de você, grito seu nome.
 Sinto no céu da minha boca, 
seu beijo iluminando minha noite,
 e estremeço nesse desejo enorme
 que toma meu corpo deixando-me louca.
Vibra meu corpo, somem meus sentidos,
 viro estrela em constelações inexistentes.
 Nesse momento, faço-me sua,
 dou-lhe da vida que canta em mim
 em acordes de harmonia, o sol se faz presente e toca minha pele iluminando a noite escura.

Sou vida onde você é luz
que toca meu corpo, ponto a ponto, fazendo-me feliz.
Nesse momento, as areias do tempo seguro em minhas mãos,
somos eu e você possuindo o universo inteiro
e vejo-me sua, abrigo que sempre quis,
amor sem limites que toca minha alma com tamanha paixão."



domingo, novembro 18

- FRAGMENTOS -

 
"Quando você encontrar a outra metade da sua alma, você vai entender porque todos os outros amores deixaram você ir. Quando você encontrar a pessoa que realmente merece o seu coração, você vai entender porque as coisas não funcionaram com todos os outros.”

 
 
 
"Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio!"

 
 
 
 
 
“Compreendi que a vida não é uma sonata que, para realizar sua beleza, tem que ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de minissonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e de amor justifica a vida inteira.”
 
 
 
 
 
"As pérolas são feridas curadas,
 são produtos da dor,
 resultado da entrada de uma substância
 estranha ou indesejável no interior da ostra,
 como um parasita ou um grão de areia.
 A parte interna da concha de uma ostra
 é uma substância lustrosa chamada nácar.
 Quando um grão de areia penetra,
 as células do nácar começam a trabalhar
 e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas
 para proteger o corpo indefeso da ostra.
 Como resultado, uma linda pérola é formada.
 Uma ostra que não foi ferida de algum modo,
 não produz pérolas,
 pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
 Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?
 Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?
 Suas idéias já foram rejeitadas, ou mal interpretadas?
 Você já sofreu os duros golpes do preconceito?
 Já recebeu o troco da indiferença?
 Então, produza uma pérola !!!
 Cubra suas mágoas com várias camadas de amor.
 Infelizmente são poucas as pessoas
 que se interessam por esse tipo de movimento.
 A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos,
 deixando as feridas abertas,
 alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e,
 portanto não permitindo que cicatrizem.
 Assim, na prática, o que vemos são muitas “ostras” vazias,
 não porque não tenham sido feridas,
 mas porque não souberam perdoar,
 compreender e transformar a dor em amor."
*Rubem Alves*

sábado, novembro 17

- CORPO FEMININO -



"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra, está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas. Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas, que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados, melhor.

As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas; por que razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto.

Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: Nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês porque nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher.

Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda. As jovens são lindas, mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda, cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas, que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto, uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que, quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes); quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade, sem sabotagem e sem sofrer; quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tiram a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa - viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto."
*Paulo Coelho*

- DO AMOR....





"Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia.

Já não procuro ilusões e surpresas
se todos os caminhos foram percorridos,
se oblíquo sol da tarde alonga a minha sombra
presa ainda a meus pés, a fugir, para onde?



Quero a compreensão, a tranquila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que sabe ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fronte ardente a inquieta;

- alta maré para encobrir escolhos,
ser água para a sede que atormenta,
sombra, quando a luz doer nos olhos.

- A que inteira se dá sem pedir nada
só pela humilde alegria de se dar!

A que é pousada para o amor que vinha
já cansado de tudo e que não tinha
onde ficar.

A que tem mãos felinas, mãos que arranham
infladas de amor,
sem a gente sentir,
mãos que enlaçam, depois, cantam ternuras,
e que emberçam as nossas amarguras
e nos fazem dormir...

A que é mulher, - mar alto, porto e abrigo –
a que fica a nossa espera,
a que se pode voltar a qualquer hora...
A que sabe perdoar nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...


Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que será minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluída e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...

Quero a doce, a permanente companhia ...
A que depois da noite
é o meu dia,
e, com o braço em meu braço
há de acertar seu passo
na mesma direção..."
*JG de Araujo Jorge*